Impeachment paralisaria combate à pandemia, diz vice-presidente da Câmara

Em seu terceiro ano de mandato federal, o deputado Marcelo Ramos (PL-AM) já ocupa um dos postos mais cobiçados pelos parlamentares: o de vice-presidente da Câmara. Articulado e com bom trânsito entre governistas e a oposição, Ramos deverá ter maior protagonismo no cargo do que seus antecessores. Depois de conquistar cargos importantes na gestão de Rodrigo Maia (DEM-RJ), como a presidência das comissões especiais da reforma da Previdência e da PEC da prisão em segunda instância, ele surpreendeu colegas ao se lançar candidato pelo bloco de Arthur Lira (PP-AL), depois de ver frustradas suas pretensões de disputar o comando da Casa com o apoio do próprio Maia.

Há um mês na vice-presidência da Câmara, Ramos diz que manterá seu discurso crítico e independente em relação ao governo Bolsonaro, mas reconhece que não poderá fazê-lo com a mesma contundência que fazia antes por causa da natureza do cargo que ocupa. Em entrevista ao Congresso em Foco (veja a íntegra no vídeo acima), o deputado amazonense, de 47 anos, sinaliza que, a exemplo do que ocorreu no mandato de Maia, dificilmente um eventual pedido de impeachment de Bolsonaro prosperará com a atual Mesa Diretora.

Marcelo Ramos durante a entrevista em seu gabinete na Câmara
Michel Jesus/Câmara
Para ele, seria ruim para o Brasil discutir o afastamento do presidente em plena pandemia, processo que paralisaria a Câmara, de acordo com o deputado, por até um ano. Na avaliação de Marcelo Ramos, o processo também não frearia os discursos e as ações de Bolsonaro em relação à disseminação da doença e das mortes causadas pela covid-19.

"Todos que acompanham um processo de impeachment sabem que ele não começa hoje e termina amanhã. É longo, demora e paralisa o país. Tudo o que o Brasil não pode, neste momento, é ser paralisado", afirma. "A oposição e a crítica a Bolsonaro podem e devem ser feitas de maneira dura por quem acha que deve fazê-las, mas, sinceramente, não acho que é o momento de criar mais instabilidade institucional. Precisamos do mínimo de tranquilidade para enfrentar os efeitos sanitários, econômicos e sociais da pandemia", emenda. Para ele, só depois de superada essa etapa crítica é que o país terá condições de discutir as responsabilidades pelo agravamento da tragédia que já levou a vida de mais de 260 mil brasileiros.

Na mesma entrevista, concedida na última quinta-feira no gabinete da Vice-Presidência, Marcelo Ramos diz que não há chance de a PEC Emergencial passar pela Comissão de Constituição e Justiça (PEC) e por uma comissão especial antes de ser analisada pelo plenário, como quer a oposição. O objetivo, segundo ele, é aprovar na próxima semana o texto que abre caminho para a volta do auxílio emergencial da mesma forma que ele saiu do Senado.

O deputado também diz que acredita que a reforma administrativa será aprovada pelo Congresso ainda no primeiro semestre e que a tributária sairá até o fim do ano. Para ele, o diferencial de Lira em relação a Maia é que o alagoano terá melhor relacionamento com o ministro Paulo Guedes na comparação com o seu antecessor.

"O pensamento econômico do Rodrigo Maia talvez tenha mais afinidade com o do Guedes do que o do próprio Arthur Lira, mas Lira tem mais boa vontade com Guedes", ressalta. "A tendência é o ministro ter mais tranquilidade com suas pautas sob a presidência de Arthur Lira", acrescenta.

Marcelo Ramos também promete que, embora a atual gestão da Câmara tenha recebido apoio em peso da bancada ruralista, não haverá retrocesso na pauta ambiental. Segundo ele, o agronegócio brasileiro aprendeu que práticas danosas ao meio ambiente implicam prejuízo para os seus negócios, com a retaliação econômica de outros países.

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