Caso Joe Biden seja eleito presidente dos Estados Unidos, haverá uma reacomodação das relações diplomáticas e comerciais entre o Brasil e os EUA. Entre os empresário locais, há divergências sobre os efeitos desta mudança.
Os diferentes argumentos estão aqui resumidos por Alexandre Ostrowiecki, dono da empresa de tecnologia Multilaser, que acredita que a eleição de Joe Biden vai trazer danos para as exportações brasileiras, e Paulo Dalla Nora Macedo, investidor nos setores de tecnologia e energias renováveis, que vê como positiva a mudança na Casa Branca.
Argumentos pró-Trump
![Donald Trump e Jair Bolsonaro durante encontro do G20 em Osaka, Japão, em junho de 2019. [fotografo]Shealah Craighead/White House Photo via Flickr[/fotografo]](https://static.congressoemfoco.uol.com.br/2020/11/dr-jb-300x200.jpg)
Donald Trump e Jair Bolsonaro durante encontro do G20 em Osaka, Japão, em junho de 2019. [fotografo]Shealah Craighead/White House Photo via Flickr[/fotografo]
Leia também
“A China vai tender a se abastecer um pouco mais no Brasil e um pouco menos nos Estados Unidos. Isso é sinal, possível sinal bom para o nosso agro, nosso agro indo bem, a gente vai melhorar a questão do dólar e da inflação, é tudo um grande dominó. Trump ganhando eventualmente, a chance parece baixa agora, mas Trump ganhando é um pouco melhor para o nosso agro, um pouco melhor para as nossas exportações, um pouco melhor para o nosso dólar e um pouco melhor para a nossa inflação, portanto dá para dizer que do ponto de vista puramente econômico Trump é mais interessante.”, declarou ao Congresso em Foco.
“Biden por outro lado tende a recrudescer mais a questão ambiental, endurecer mais com o Brasil, endurecer nas regras, jogar mais pesado na OMC e portanto pode ser exatamente o oposto, dificultar as exportações do nosso agro, com mais e mais exigências ligadas ao cumprimento de exigências ambientais.”
No entanto, o empresário não crê que haverá um clima de beligerância entre Jair Bolsonaro e Joe Biden.
“Eu não vejo um estranhamento grande entre Biden e governo Bolsonaro. Não vai ser tão bom quanto a relação Trump e Bolsonaro, mas não diria que vai ser uma relação ruim. Em ambos os casos o Itamaraty tem quadros muito técnicos, habilidosos e com a longa tradição de relação entre os países. Os interesses são muito mais alinhados que desalinhados”, disse.
Argumentos pró-Biden

[fotografo]Reprodução Instagram/Joe Biden[/fotografo]
“Temos que focar muito mais na leitura de médio e longo prazo. E aí mesmo que o empresário do agro ou commodities tenha dificuldades momentâneas, eu não tenho duvidas de que no médio e longo prazo esta é é uma mudança que vai beneficiá-lo. Isso porque vai exigir que ele entre dentro de um conceito de negócio com responsabilidade ambiental, que é um caminho inevitátvel, que o Trump vinha falsamente segurando. O sujeito corria o risco de ficar abraçado a uma realidade que não será a do futuro”, avalia.
Em uma análise mais específica do seu ramo de atuação, as energias renováveis, Paulo também enxerga boas perspectivas com a vitória de Biden.
“Isso vai abrir uma possibilidade de novo mercado imenso, porque os Estados Unidos estavam fora disso, porque essa não era a politica do governo Trump. Quem estava sendo a locomotiva disso [energias renováveis] era a China”, diz.
Paulo destaca ainda pontos positivos para o campo da política.
“Não tenho nenhuma dúvida de que a eleição de Biden é uma vitória para segurar este crescimento da direita populista digital. Esses caras não tem apreço por governar, querem criar disrupção no sistema. Isso vai ser bom para o geral, mas vai ser bom inclusive para o Partido Republicano e os partidos à direita no Brasil. Partidos de verdade, que não são populistas digitais. Eles estavam refém desta turma”, avalia.