Eduardo Pazuello não tem formação acadêmica em logística

Considerado especialista em logística pelo governo federal, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, não tem especialização acadêmica na área. A informação foi revelada pelo Jornal de Brasília, que teve acesso ao currículo de formação do general.

De acordo com a matéria de Vanessa Lippelt, Pazuello se formou na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) como Oficial Intendente, ou seja, aquele que “distribui o material de intendência (uniformes, equipamentos individuais, etc) e os diversos tipos de munição e de gêneros alimentícios. Proporciona também, em operações, outros serviços como lavanderia e banho. Nas organizações militares, os intendentes assessoram os comandantes na administração financeira e na contabilidade.”

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Como oficial superior, mostra a reportagem, realizou o curso de Comando e Estado-Maior no Exército, e o curso de política e estratégia aeroespaciais, na Força Aérea Brasileira (FAB). Nenhuma das duas formações como oficial superior na área de Logística.

O currículo do ministro que consta no site do Ministério da Saúde, indica que o general "acumula diversas condecorações pelo desempenho do seu trabalho, como a de pacificador, Ordem do Mérito Militar Grande Oficial, Mérito Tamandaré, Ordem do Mérito Aeronáutico Cavaleiro e Distintivo de Comando Dourado".

A biografia disponível no site da pasta mostra ainda que Pazuello é formado pela AMAN, e que comandou o 20º Batalhão Logístico Paraquedista. Foi diretor do depósito central de munição, no Rio de Janeiro. Tem experiência como assessor de planejamento, programação e controle orçamentário do Comando Logístico, foi comandante da base de apoio logístico do Exército e coordenador logístico das tropas do Exército Brasileiro nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro. E que, recentemente, foi comandante da base logística multinternacional integrada na tríplice fronteira e coordenador operacional da força-tarefa logística humanitária (Operação Acolhida).

O Congresso em Foco entrou em contato com o Ministério da Saúde, mas ainda não obteve retorno.

Também sem especialização ou experiência na área da saúde, Pazuello assumiu o Ministério em maio de 2020, após a saída de Nelson Teich. Na época, a pasta publicou um resumo do currículo profissional do general, dando ênfase à sua experiência com logística.

Essa semana, Pazuello foi ao Senado prestar informações sobre as dificuldades enfrentadas pelo país para imunizar a população contra a covid-19 e as medidas adotadas pela pasta para promover a vacinação em todo o território nacional.

Ao responder perguntas sobre a crise no Amazonas, Pazuello disse que não houve sinais de que haveria o desabastecimento de oxigênio em unidades de saúde. Manaus, capital do estado, enfrenta desde o fim de janeiro, a segunda onda da doença, tendo faltado inclusive oxigênio para os pacientes.

O objetivo de Pazuello no Senado foi impedir que a Casa inicie os trabalhos de uma CPI para investigar a ação do governo durante a pandemia. Apesar de a oposição já contar com assinaturas suficientes para o início da comissão parlamentar, cabe ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), dar o aval para sua abertura.

O mineiro minimizou a possibilidade de abrir a comissão. Pacheco deverá levar a questão para os líderes partidários na próxima reunião, agendada para quinta-feira (18). Pacheco também evitou dizer se o ministro da Saúde é responsável pelas dificuldades no combate ao covid-19.

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