
Vilson Vedana criticou excesso de burocracia em processos públicos
“A gente precisa fazer o estado funcionar”, enfatizou o representante estadual da Associação Nacional dos Advogados Públicos Federais (Anafe), Vilson Vedana, durante as exposições iniciais da segunda edição do Diálogos Congresso em Foco, que acontece na tarde desta sexta-feira (24), no auditório do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal. Vedana ressaltou ainda que, para isso, é preciso estabelecer a independência e a harmonia entre os Poderes. Para o representante, o sistema de políticas públicas brasileiro precisa de “eficiência e menos burocracia”. “Não adianta fazer uma política pública definida em 500 artigos. Quanto mais burocracia você coloca, mais brechas você cria”, avaliou.
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Uma das sugestões apresentadas por Vedana é a criação de centros de Resolução Pacífica de Controvérsias – como a negociação, a mediação e a arbitragem – entre o poder público e a sociedade. Entre órgãos e entes do serviço público a resolução pacífica de disputas já acontece e os resultados têm sido positivos. “Agora, é preciso criar esse canal com a população”, alegou.
De acordo com ele, a ideia está em fase de estudo, mas aponta para a diminuição dos entraves criados pela burocracia. “No serviço público as negociações já acontecem e os resultados tem sido positivos. Agora, é preciso criar esse canal com a população”, explicou. Para Vedana, o fortalecimento da advocacia pública a partir da integração da atuação Consultiva e Contenciosa, além de trazer celeridade aos processos, também pode eliminar custos que oneram o estado.
O mesmo foi defendido por João Botelho, vice-presidente de Relações Internacionais da Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (Anabb). Ele destacou que debates como o proposto pelo Diálogos traz resultados altamente produtivos. O vice-presidente disse ainda que, para que as coisas melhorem no Brasil, é preciso que todos atuem nos caminhos do Congresso Nacional apresentando ideias justas, com menos foco no corporativismo. “Apenas assim conseguiremos o engrandecimento do país”, ponderou.
Enquanto isso, Beatriz Pereira, representante do Instituto Resgata Brasil (IRGB), apontou que, para resgatar as instituições, é preciso reestabelecer a neutralidade do estado. “Essa é uma luta de todos nós. Precisamos resgatar a liberdade de consciência e de crença. Educar para a cidadania, respeitar a opinião do próximo”, disse.
Segurança pública
Apesar de não ter sido abordada na primeira edição do Diálogos, a segurança pública se tornou foco de manifestações feitas na tarde desta sexta-feira (24). Após a crise penitenciária – evidenciada no fim de 2016 e no início de 2017 com as rebeliões em diversos estados –, a superlotação das cadeias brasileiras e a atualização do Código Penal ganharam espaço para as discussões realizadas a fim de traçar saídas contra os desmandos na política, os desajustes na economia e a desfaçatez da corrupção.
Segundo o Diretor Financeiro Adjunto da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), André Morisson, o debate promovido por comissão especial da Câmara sobre alterações no Código Penal, ao discutir a possibilidade de tornar dispensável a perícia criminal comete um grande erro. Questionado sobre medidas que devem ser tomadas para diminuir a burocracia nos trâmites das investigações criminais, Morisson enfatizou a importância da implementação do Termo Circunstanciado de Ocorrência. Com isto, criminosos pegos em flagrante não precisariam ter processos destinados para as polícias judiciárias, trazendo celeridade às condenações.

Para Gilson Vieira, sistema penitenciário brasileiro está falido
O assunto também foi abordado por Gilberto Vieira, membro do Conselho Indígena Missionário. Para ele, além de viver um processo duro de ataque às expressões populares, como a criminalização das organizações da sociedade civil, o país sofre com um sistema penitenciário falido. Vieira defendeu ainda o fim do financiamento de campanhas eleitorais e, para fundamentar a exposição, utilizou o exemplo dos 162 parlamentares eleitos com investimentos feitos pela JBS, uma das empresas investigadas na Operação Carne Fraca.
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