Por que devemos apoiar as manifestações populares em Cuba?

Vera Lúcia*

No último domingo, Cuba foi sacudida por uma onda de protestos populares motivados pela fome, desabastecimento, e pela crise na saúde em meio à pandemia. Soma-se a isso a repulsa à ditadura de uma oligarquia da alta cúpula das Forças Armadas e do Partido Comunista de Cuba (PCC), o único permitido no país e que de comunista hoje só tem o nome.

O presidente Miguel Díaz-Canel, condenou os protestos, acusando os manifestantes de serem financiados pelos EUA e pela burguesia gusana de Miami, e impôs uma dura repressão, cujo saldo, até o momento, é de centenas de presos e outros tantos feridos.

Sempre repudiamos e continuamos repudiando o bloqueio estadunidense a Cuba, bem como qualquer tentativa de ingerência dos EUA ou da antiga burguesia dos tempos de Fulgêncio Batista na Ilha. Mas também nunca concordamos com a condução stalinista e ditatorial de Cuba, que acabou levando-a de volta ao capitalismo.

Afinal, Cuba é socialista?

Infelizmente, o capitalismo foi restaurado em Cuba. Hoje, o que há é uma ditadura comandada por burocratas e militares que, como na China, se transformaram em burgueses e administram um país capitalista, com uma economia de mercado, e em sociedade com multinacionais europeias e canadenses.

Por isso, não temos dúvida de que lado devemos estar: ao lado do povo cubano.

As mobilizações e a bronca popular evidenciam problemas que a ditadura e seus apoiadores – dentro e fora da Ilha – tentam esconder: a restauração capitalista apagou praticamente todas as conquistas da revolução de 1959 e aprofundou no país os mesmos males conhecidos: a fome, a miséria, o desabastecimento e o desemprego, todas agravadas pela pandemia.

Portanto, nada mais justo do que apoiar as mobilizações em Cuba, assim como apoiamos as demais lutas que ocorrem na América Latina. E pedimos aos trabalhadores e lutadores latinos americanos que manifestem solidariedade ao povo cubano que sai às ruas.

É também urgente a realização de uma campanha internacional pela liberdade dos manifestantes presos em Cuba, pois lutar não é um crime.

Por outro lado, é preciso denunciar e combater qualquer tentativa de ingerência imperialista ou vinda dos gusanos e exigir o fim imediato do bloqueio econômico dos EUA a Cuba.

Por fim, as agressões imperialistas contra Cuba não podem nos confundir e nos impelir a apoiar um governo ditatorial que oprime os trabalhadores e o povo pobre cubano.

Saudamos a luta do povo cubano. E conclamamos por uma nova revolução em Cuba, mas agora sobre a base de uma democracia operária, e que sirva como um ponto de apoio para uma onda revolucionária e socialista na América Latina e no mundo.

*Vera Lúcia é ex-candidata à presidência da República pelo PSTU.

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