O sequestro do Sete de Setembro

No dia 7 de setembro de 1822, o príncipe Dom Pedro I declarou a Independência do Brasil. Apesar do que viria nos anos seguintes, o dia é histórico por desvincular o país da exploração dos colonialistas portugueses, que por anos viveram das riquezas brasileiras. Desde então, a data tem um valor especial e se tornou um marco para que os brasileiros possam relembrar sua conquista. Infelizmente, ao longo da história, diversas figuras tentaram se apropriar do simbolismo desse dia e, via de regra, optam por vinculá-lo a pauta política que lhes apetece.

O presidente Jair Bolsonaro está convocando um ato político para o próximo dia 7 de setembro. O Chefe do Executivo está enrolado em problemas até o pescoço, envolvido em escândalos na compra de vacinas, mantendo o absurdo negacionismo na gestão da pandemia pandemia e lavando suas mãos de sangue por não ter se movido para evitar a morte de mais de 600 mil brasileiros.

É difícil entender como uma pequena massa barulhenta ainda pode nutrir uma idolatria por essa figura que cada dia mais se mostra uma ameaça à democracia brasileira. Uma das motivações dos bolsonaristas é mostrar alto grau de patriotismo, se apropriando dos símbolos nacionais, tais como a bandeira nacional, o hino e até mesmo a camiseta da seleção brasileira de futebol. Sob o brado de que “nossa bandeira jamais será vermelha”, o bolsonarismo torpe quer resignificar os símbolos da pátria.

Os bolsonaristas passaram a “sequestrar” os símbolos nacionais, causando um verdadeiro déjà vu do período do regime militar no Brasil. Naquela época os governos militares investiam em autopropaganda utilizando-se dos símbolos pátrios e da imagem da seleção brasileira como seus, chegando ao cúmulo de cunhar o esdrúxulo slogan “ame-o ou deixe-o”. Atualmente, o bolsonarismo fez uma releitura da expressão, ao ponto de bradar aos seus opositores os ofensivos: “vai pra Cuba”, “vai pra Venezuela” ou o mais recente “vai pra China”.

Contudo, o bolsonarismo ignora, ou finge ignorar, que a volta da esquerda ao poder é alimentada pelo atual presidente. Bolsonaro pode ser considerado o responsável por Lula da Silva estar solto e com possibilidade de concorrer à eleição, afinal o atual presidente se viu obrigado a “mexer uns pauzinhos” para blindar seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro, das acusações de rachadinha. Foi o próprio “mito” quem colocou o petista Augusto Aras na Procuradoria Geral da República (PGR) e foi ele, também, que indicou Kássio Nunes Marques - que votou a favor de Lula em tudo - para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Por isso, fica a questão: será mesmo que Jair Bolsonaro merece todo esse culto a seu favor? Além de todos os escândalos de corrupção que o envolvem e os erros na condução do país durante a pandemia, é preciso observar todas as promessas das eleições que seu governo não cumpriu. Diminuir ministérios, acabar com a reeleição para presidente, desonerar a folha de pagamento, não aumentar impostos e seguir uma agenda liberal — essas são apenas algumas das muitas promessas que o presidente utilizou para enganar seus eleitores.

De outro lado, uma manifestação que não vai se aproveitar de símbolos nacionais para se promover está marcada para o dia 12 de setembro, com o objetivo de afastar o maior estelionatário da nossa história da cadeira presidencial, além de ir contra a volta do Partido dos Trabalhadores — responsável pelo maior esquema de corrupção do país — ao poder.

O mês de setembro já começou e será, mais uma vez, decisivo para o curso da história do Brasil. As duas manifestações, sem dúvidas, servirão para jogar luz sobre a opinião popular em relação ao cenário político atual, além de incentivar ou desencorajar o presidente em sua empreitada golpista.

Para o bolsonarismo só vale uma máxima: “ame-o ou deixe-o”. No meu caso, prefiro aquela: “nem Lula, nem Bolsonaro”

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