É preciso parar Bolsonaro para dar uma chance à vida

A falta de iniciativa do Congresso Nacional diante dos descalabros que vêm sendo perpetrados pelo governo Bolsonaro principalmente nos descaminhos que tem imposto ao país na condução da crise sanitária provocada pela pandemia da covid-19 pode trazer consequências trágicas para os seus integrantes, que no futuro poderão ser acusados de conivência. Ou mesmo de capangagem com os autores do genocídio que vem se acelerando a olhos vistos em todos os estados brasileiros, cuja estrutura de saúde entrou em colapso.  

Ainda no último fim de semana, intelectuais, artistas, cientistas, professores, políticos, líderes religiosos e representantes de outras categorias, trouxeram a público um manifesto intitulado “Vida acima de tudo”, no qual, com todas as letras, classificam o chefe do executivo de “o genocida Jair Bolsonaro”. E estendem essa acusação à “gangue de fanáticos movidos pela irracionalidade fascista”. Entre outras figuras de proa assinam o manifesto desde artistas como Chico Buarque, Edu Lobo, Paulinho da Viola, Ivan Lins, João Bosco e Francis Hime até personalidades das mais diversas áreas como o padre Julio Lancelotti, o teólogo Leonardo Boff, o ex-chanceler Celso Amorim, o escritor Antonio Carlos Sechin, a cineasta Lúcia Murat, o o ex-deputado e hoje vereador Chico Alencar, o jornalista Hélio Doyle e o diretor de cinema e televisão Daniel Filho, para ficar em apenas alguns dos mais de 40 mil subscritores.  

Os integrantes do Congresso Nacional, a quem cabem as funções legislativas e de fiscalização e controle, segundo preceitua o artigo 44 da Constituição Federal, estão fartamente inteirados dos seguidos atos desumanos e fratricidas de Bolsonaro e sua gangue contra a ciência, à vida, a proteção ao meio ambiente. Sem falar na falta de “compaixão”, como lembra o manifesto. “O ódio ao outro é sua razão (de Bolsonaro) no exercício do poder”. 

E o Congresso, ó: nem aí!

Curiosamente e preocupantemente, o Congresso Nacional mantém-se em atitude contemplativa diante da devastação de milhares de vidas e da absoluta falta de compaixão com as perdas humanas do animal desumano que ocupa aquela cadeira no Palácio do Planalto. O Congresso como um todo, ressalvadas as exceções de praxe, não vem se comportando à altura das altas incumbências que lhe cabem como uma das três pernas da estrutura republicana. Até aqui, debaixo de críticas e incompreensões, e mesmo correndo o risco de cometer erros, quem tem tido a decência de tomar a frente e adotar algumas atitudes para tentar conter minimamente o ímpeto devastacionista do capitão e seus asseclas tem sido o Poder Judiciário, mais especialmente o Supremo Tribunal Federal.

Se impressas todas as páginas dos mais de 60 pedidos de impeachment contra  Bolsonaro, assim como a transcrição de todas as sandices e indecências que o capitão-presidente vem proferindo dia sim e outro também, um homem sozinho não conseguiria suster nas mãos a carga de papel. O que equivale a dizer que, se não houvesse carradas de evidências, existem toneladas de provas – provas! E, o que é mais forte ainda, existe a confissão pública e arrogante dos atos praticados por ele, que nunca se redimiu de nenhum. Não há o que investigar. Não há o que protelar. Não há o que procrastinar, até porque cada dia com Bolsonaro no poder é a certeza de que a devastação das vidas não apenas vai continuar, como vai crescer, como lembra bem o manifesto, diante do “descaso com a vacinação (..), o estímulo à aglomeração e à quebra de confinamento, aliados à total ausência de uma política sanitária”. A hora é de desapear Bolsonaro do poder. E processá-lo, em escala nacional e internacional – como em cortes como o Tribunal Penal Internacional – pela “política genocida que ameaça a civilização”, como consta do final do manifesto. Diante do ambiente ideal para o surgimento de novas mutações do vírus, países vizinhos vêm se manifestando altamente preocupados pelo fato de o Brasil ter se tornado, pela ação nefasta do pior governo de sua história, como um grande risco não só para eles, mas para toda a humanidade. A Organização Mundial da Saúde já veio a público fazer advertência séria neste sentido. O Brasil tornou-se uma ameaça global. 

O exemplo vem da Alemanha de Hitler

Deixar que as coisas continuem andando nesse ritmo, sem um freio capaz de impor uma inflexão ao genocídio, valerá como autenticação de uma política do “deixa como está pra ver como é que fica”. Na Alemanha de Hitler o descaso e a falta de freios à política genocida do   füher resultou no saldo trágico de 50 milhões de mortos em combate ou nos horripilantes campos de concentração. 

Se o Congresso, que é um poder formado por representantes de todos os estados, não assumir sua responsabilidade para conter o ímpeto irresponsável e desumano do chefe do governo, poderemos, sim, e sem exagero algum, estar começando a trilhar um caminho semelhante ao que levou à hecatombe nazista.   

A Casa onde pontificaram figuras ímpares como Ulysses Guimarães, Teotônio Vilela, Mario Covas, Ruy Barbosa, Paulo Brossard e Tancredo Neves, para ficar em meia dúzia de parlamentares que honraram seus mandatos, não tem o direito de se apequenar, lavar as mãos e fugir às suas responsabilidades. É hora – passa da hora – de sair da inércia e ajudar a por o país nos trilhos. A hora é de parar Bolsonaro. Enquanto ainda resta alguma vida a ser vivida.     

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