Deputados devolveram menos de 1% de gastos suspeitos com passagens

A Câmara bancou 78 mil bilhetes aéreos cuja destinação foi considerada suspeita pelo Ministério Público Federal. Passagens da cota parlamentar cedidas a familiares e amigos para viagens de turismo, nacional e internacional, para cabos eleitorais e até artistas. Uma conta de mais de R$ 100 milhões, em valores atuais, paga pelo contribuinte. Desse total, menos de 1% foi devolvido pelos deputados aos cofres públicos.

Esta é uma das revelações do livro Nas Asas da Mamata – A história secreta da farra das passagens no Congresso Nacional, publicado pela Editora Matrix, que será lançado na próxima terça-feira (17).

Livro revela novos e detalha que fim teve a farra das passagens

A publicação, à qual o Congresso em Foco teve acesso, revela um gasto de R$ 102 milhões (valores corrigidos pela inflação) na Câmara. No Senado, em valores corrigidos, R$ 2,9 milhões. Só uma parte ínfima disso foi recuperada: R$ 786 mil, segundo levantamento dos autores – os jornalistas Eduardo Militão, Eumano Silva, Lúcio Lambranho e Edson Sardinha.

O livro também mostra como o Ministério Público e o Judiciário foram morosos na análise das ações contra os políticos citados, de quase todos os partidos. Um dos inquéritos arquivados atingiu 560 parlamentares, a mais ampla investigação contra políticos desde a redemocratização.

O episódio conhecido como “farra das passagens” foi revelado pelo Congresso em Foco em série de reportagens publicada em 2009. Um número imensamente maior de alvos investigados que a Operação Lava Jato e a CPI do Orçamento. A diferença, no caso da farra, é que ninguém foi punido e só uns poucos devolveram o dinheiro. As reportagens renderam ao site o Prêmio Esso de Melhor Contribuição à Imprensa e Embratel de Jornalismo Investigativo.

“O cidadão que ficou indignado na época vai saber agora de mais detalhes sobre como esse caso ficou impune, apesar de todas as evidências. Ele vai ver que, enquanto suava para pagar as contas, os parlamentares viajaram pelo mundo e em destinos turísticos no Brasil sem tirar a mão do bolso", diz Lúcio Lambranho, um dos autores do livro e da série de reportagens.

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