Ricardo Barros expôs jornalistas para alegar que dados de CPI foram vazados

O líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), chegou a expor, em autos encaminhadas à CPI da Covid e mesmo ao Supremo Tribunal Federal (STF), conversas de três jornalistas que o questionaram sobre seu envolvimento no escândalo de compras de vacinas superfaturadas. O deputado insinua que os repórteres seriam a ponta de um vazamento de informações colhidas pela comissão.

Os três profissionais de jornalismo pertencem ao grupo Globo - dois deles são ligados à TV Globo e o terceiro ao jornal O Globo. Em prints de tela retirados de mensagens enviadas pelo aplicativo  Whatsapp é possível encontrar o número de ao menos um deles. Todos questionam o deputado e o assessor de Comunicação da Liderança do Governo na Câmara, João Pitella Junior, sobre matérias que estavam produção, durante o mês de julho de 2021, e que poderiam ligar o deputado ao escândalo da Covaxin dentro do Ministério da Saúde. Como ordenam as melhores práticas do jornalismo, os profissionais buscaram os envolvidos no caso para ouvir seus lados da versão.

Os prints estão disponíveis em um arquivo enviado pelo STF à CPI da Covid, e disponibilizado pelo Senado. Além das conversas, há outros dados sensíveis, como uma cópia de uma conta de internet do apartamento funcional ocupado pelo deputado, e mesmo um RG recente seu que foi digitalizado. No documento, a ministra Cármen Lúcia dá 24 horas para que a comissão se manifeste sobre as alegações do deputado.

Pressão

A defesa do deputado argumentou que um ataque à sua imagem teria começado no final de junho, durante depoimento de Luís Miranda (DEM-DF) à CPI. "Desde então, a imprensa e os parlamentares (especialmente os senadores de oposição ao governo integrantes da CPI) têm alimentado inúmeras acusações, especulações e ilações contra o impetrante, com o notório propósito de desgastá-lo (bem como desgastar o governo) perante a opinião pública", escrevem os advogados em uma mensagem à CPI, depois encaminhada ao STF.

As provas seriam não apenas as conversas com os jornalistas do Globo, mas também matérias veiculadas no portal Metrópoles e pela Globonews - também ligada à Rede Globo. O deputado alega também que há a perseguição da CPI contra sua pessoa e seu cargo de líder do governo, e que caberia ao Judiciário “a função eminente de controlar os excessos cometidos por qualquer das esferas governamentais, inclusive aqueles praticados por Comissão Parlamentar de Inquérito, quando incidir em abuso de poder ou em desvios inconstitucionais”.

O nome de Ricardo Barros aparece, segundo parte dos senadores da CPI da Covid, no centro de vários esquemas distintos de superfaturamento na compra de vacinas contra a covid-19. Seria Ricardo Barros quem teria intermediado a compra das vacinas Covaxin pelo Ministério da Saúde, assim como seria ele o responsável por permitir à Precisa Medicamentos obter vantagens junto ao poder público na venda dos imunizantes e de testes contra a doença - o que teria atrasado o início da vacinação contra covid-19 e aumentado o número de mortos pela doença.

Luís Miranda disse aos senadores que Ricardo Barros operaria este esquema da covaxin com o conhecimento do presidente Jair Bolsonaro. Bolsonaro não teria agido para cobrar investigação contra Barros - e por isso, foi denunciado pela CPI por prevaricação.

Barros nega participação em qualquer esquema, e acusa a CPI de persegui-lo com o objetivo de prejudicar o governo de Jair Bolsonaro. "A cada dia que passa mais informações sigilosas são ilegalmente obtidas pela CPI da Pandemia e se torna maior o risco de vazamento de tais dados", diz a defesa do deputado. "Cada dia conta para preservação dos direitos."

Ricardo Barros disse, ao Congresso em Foco, que expôs as conversas "para comprovar que o repórter teve acesso a informação protegida por segredo de justiça e que estavam sob responsabilidade da CPI". Questionado se considera que os vazamentos são direcionados apenas contra ele, o líder do governo considera que os dados em poder da CPI vazam de modo "ilegal e seletivo", em especial "para veículos que tem linha editorial de oposição ao governo".


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