Contratos em hospitais federais do Rio entram na mira da CPI da Covid

Possíveis irregularidades em contratos de hospitais federais do Rio de Janeiro durante a pandemia, especialmente na área de logística, devem ficar entre as frentes de investigação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid nesta volta do recesso. O senador Humberto Costa (PT-PE) apresentou um conjunto de requerimento que inclui a convocação tanto do atual superintendente do Ministério da Saúde no estado, Marcelo Muniz Lamberti, quanto dos antecessores dele, Georde da Silva Divério e Jonas Roza.

O colegiado também estuda requerer um mandato de busca e apreensão em unidades de saúde fluminenses para coletar documentos.

Ao depor na CPI da Covid, em junho, o ex-governador do Rio Wilson Witzel afirmou que os hospitais federais do estado era “intocáveis” e tinham “um dono”. A participação do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, na escolha dos nomes que assumiriam o comando desses hospitais também foi levantada por Witzel na oitiva.

Marcelo Muniz está no cargo de superintendente desde junho deste ano após a exoneração de George Divério pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Coronel da reserva do Exército, Divério foi demitido sob denúncia de irregularidades em contratos da saúde no Rio que somavam R$ 28,8 milhões. Há indícios de superfaturamento e houve dispensa de licitação beneficiando empresas que possuem histórico de corrupção.

Jonas Roza, o antecessor de Divério, também é militar, integra a reserva e havia sido igualmente nomeado por Pazzuello.

“Ampliamos a investigação para os hospitais do Rio de Janeiro onde, segundo denúncias, contratos ilegais que favoreceram determinadas empresas e grupos foram assinados”, disse o senador Humberto em entrevista à CNN no início da manhã.

“Nessa questão dos hospitais do RJ o que começamos a evidenciar é que um esquema parecido ao aplicado na secretaria estadual de saúde mediante organizações sociais é aplicado em contratos de empresas com hospitais federais com os mesmos atores proprietários de empresas que têm nomes diferentes. Vamos em breve ouvir algumas pessoas que são peças-chaves deste novelo no Rio”, completou.

Conforme ressalta o senador no requerimento, 30% dos leitos e clínicos e de UTI permaneceram fechados durante a pandemia. A alegação era de falta de recursos para manutenção deles. O governo do Rio também declarou falta de recursos para aquisição de EPIs e registrou um elevado número de óbitos entre profissionais de saúde.

Para a noite desta segunda (2) está prevista uma reunião na casa do presidente da Comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM) com o núcleo duro da CPI, que inclui o relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL) e parlamentares de oposição. Com a saída de Ciro Nogueira (PP-PI) da CPI, foi aberta uma vaga de suplência que passou a ser ocupada por Flávio Bolsonaro.

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