Dissidência entre aliados de Baleia embaralha eleição na Câmara

A eleição para a presidência da Câmara está polarizada entre os deputados Baleia Rossi (MDB-SP), apoiado pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e Arthur Lira (PP-AL), líder do Centrão apadrinhado pelo presidente Jair Bolsonaro. Embora o conjunto de partidos que o apoiam some 289 deputados, Baleia sabe que não tem, até o momento, todos esses votos.

Muitos congressistas que integram o bloco liderado pelo presidente do MDB já declararam que vão votar em Lira. Já as bancadas que apoiam o líder do PP ocupam 196 cadeiras. O Congresso em Foco ouviu deputados do PSDB, DEM, PSL, Solidariedade e PSB para saber o tamanho das dissidências.

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Psol e Novo têm candidaturas próprias e o Podemos ainda não se posicionou. Os partidos mais divididos são o DEM, de Rodrigo Maia, principal articulador da candidatura de Baleia, o PSDB e o PSB. O Cidadania é outro que não tem maioria declarada em favor do emedebista. 
É com base nessas dissidências que Lira aposta sua vitória. Apoiadores do deputado alagoano no DEM estimam que ele pode alcançar 20 votos dentro da bancada de 29 congressistas, a despeito do apoio de Maia. Eles acreditam que ele possa receber quase 20 votos entre os 33 tucanos. No PSB, que tem 30 representantes, no mínimo 18 deputados apoiam Lira abertamente.

No Cidadania, apenas dois dos nove integrantes admitem publicamente votar em Baleia. Há também expectativas de traições no Solidariedade e PSL. Lira afirma ter no PSL o apoio de 19 dos 36 deputados da legenda que não estão suspensos. No Solidariedade, o presidente do partido, deputado Paulinho da Força (SP), fez com a sigla anunciasse apoio a Baleia, mas dos 14 deputados, dez pretendem votar em Lira.

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Para se eleger, um candidato precisa obter o apoio de ao menos 257 dos 513 deputados. Caso ninguém alcance essa marca no primeiro turno, os dois mais votados vão para nova rodada de votação.

No DEM é estimado o apoio de 17 deputados, com expectativa de chegar a 20. A bancada tem 29 representantes na Casa. São apoiadores públicos de Lira e já participaram de atos de sua campanha os deputados Elmar Nascimento (DEM-BA) e Luis Miranda (DEM-DF). A avaliação deles é que o DEM não pode estar dentro do mesmo grupo de partidos de esquerda, como PT, PSB, PDT, PCdoB e Rede.

Maia e o líder do partido, Efraim Filho (DEM-PB), apoiam o embarque no bloco de Baleia. Apesar disso, não há perspectiva de punição para os deputados que apoiarem Lira. O presidente nacional do partido, ACM Neto, está focado na eleição para o Senado, onde o DEM concorre com Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

Dentro do PSDB há expectativa de apoiadores de Lira de que o número de tucanos que o apoiem seja próximo de 20 votos da bancada de 33 deputados. Desde o início do governo de Jair Bolsonaro, os tucanos na Câmara estão divididos entre apoiadores do Planalto e aliados de Rodrigo Maia.

O principal articulador dos apoios do PSDB ao líder do PP é o deputado Celso Sabino (PSDB-PA). Entre os tucanos que devem votar em Lira estão também o ex-presidente do partido Aécio Neves (PSDB-MG) e Rodrigo de Castro (PSDB-MG), que vai liderar a legenda a partir de fevereiro.

No PSB há um clima mais conflituoso que as outras legendas. O presidente da legenda, Carlos Siqueira, e o líder na Câmara, Alessandro Molon, são apoiadores de Baleia Rossi. No entanto, há pelo menos 18 deputados do partido que querem apoiar Lira. Esse grupo tenta uma reunião da bancada com a direção nacional, mas ainda não teve sucesso.

Dentro do PSB, os maiores opositores à decisão do comando da sigla de apoiar o presidente do MDB são os deputados Felipe Carreras (PSB-PE), Júlio Delgado (PSB-MG) e os prefeitos do Recife (PE), João Campos (PSB), e de Maceió (AL), JHC (PSB).

Lira ajudou JHC no segundo turno na disputa pela prefeitura de Maceió. Já João Campos tenta retribuir o favor que o deputado do PP e seu pai, o ex-senador Benedito de Lira (PP-AL), fizeram a Eduardo Campos (PSB-PE) em 2014, quando decidiram apoiar a candidatura presidencial do socialista mesmo com o PP compondo a coligação de Dilma Rousseff (PT).

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