Mercado inibe Maia a despachar impeachment, diz aliado

Um deputado do círculo do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse ao Congresso em Foco Premium na manhã desta segunda-feira (1) não acreditar que ele possa dar andamento aos pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro em suas últimas horas de mandato, como sinalizou ontem à noite. "Isso teria profundo impacto no mercado. O Rodrigo sempre foi um cara do mercado, que dialoga com o mercado. Ele já vai perder força política porque vai sair da presidência. Tudo indica que sairá derrotado em seu projeto de fazer sucessor. Acaba de perder o partido dele, o que é muito simbólico. Se ele der um sinal desse para o mercado, será abandonado pelo mercado. Sobrará o que para ele?"

Na avaliação desse parlamentar, a declaração de Maia na reunião de ontem à noite, na residência oficial, de que poderá dar andamento aos pedidos de impeachment de Bolsonaro, logo após ser comunicado de que seu partido não integrará mais o bloco de Baleia Rossi (MDB-SP), foi um destempero. "Ele teve mais de 60 pedidos para despachar em dois anos. Não despachou. Impeachment é coisa séria. Tem impacto gravíssimo. Não pode ser tratado como birra ou vingança", acrescenta esse deputado, que pediu para não ter o nome divulgado. "Impeachment não pode ser brincadeira de menino dono da bola quando não o deixam jogar no campo", emendou.

Segundo ele, Maia começou a cavar a derrota ao ter como única aposta a sua própria candidatura, plano desfeito pelo Supremo Tribunal Federal ao barrar sua reeleição. "O plano dele era apoiar ele mesmo à reeleição. Botou seis nomes ali para brigarem entre si e depois ele proclamar o seu candidato", conta o deputado, que acredita ser essa a razão maior do desgaste do presidente da Câmara e, por consequência, de seu candidato, Baleia Rossi.

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