Mourão e Eduardo Bolsonaro celebram golpe de 64; maioria dos políticos repudia

Entre políticos brasileiros o dia 31 de março de 2019 foi, em sua maioria, uma data para relembrar os horrores da ditadura militar, iniciado em 1964. Enquanto as redes sociais são dominadas com trechos do discurso de Ulysses Guimarães na promulgação de 1988, citando "ódio e nojo" à ditadura, são poucos os políticos eleitos que vieram a público declarar apoio ao golpe antidemocrático de 1964.

Um deles foi o vice-presidente da República, Hamilton Mourão. O general publicou nesta quarta-feira uma homenagem aos militares que depuseram João Goulart. Para o vice-presidente brasileiro, a ação impediu que comunistas "fincassem suas tenazes" no país.

No Congresso Nacional, que foi fechado por três vezes pelos generais da ditadura, ao menos três parlamentares deram apoio público ao golpe. Filho do presidente e deputado federal, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) também disse que o golpe "ocorreu dentro da lei, com apoio da população e garantiu um Brasil livre". Para o parlamentar, os louros deveriam se manter com as Forças Armadas, "embora a história [seja] contada pelos mesmos bandidos da esquerda."

Outro a aludir a data de maneira positiva foi o deputado Otoni de Paula (PSC-RJ), que chamou o dia 31 de março como "Dia de Relembrar os Heróis da Pátria.". Já Guiga Peixoto (PSL-SP) buscou argumento na luta contra o comunismo para justificar a quebra da democracia. "Talvez hoje, seríamos uma Venezuela piorada.", escreveu

A manifestação, no entanto, ficou restrita a este núcleo duro do governo de Jair Bolsonaro, que ganhou há duas semanas o direito de comemorar o golpe militar. Nem mesmo nomes expressivos do bolsonarismo, como o ex-ministro Abraham Weintraub, a presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, Bia Kicis (PSL-DF) e o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) se manifestaram sobre a data.

Para os políticos eleitos que lembraram a data, o tom adotado foi de que não há nada a se comemorar. "Hoje faz 57 anos que o Brasil vivenciou o golpe de 64 e o início de uma ditadura militar cruel", escreveu o líder do PCdoB, Renildo Calheiros (AL). "Essa tragédia manchou a história nacional com perseguições, mortes e sepultamento de liberdades"

Já o ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) ressaltou que a data passa por uma sobrevida no governo de Jair Bolsonaro. "Vamos nos lembrar da data de hoje para que ela nunca mais volte a acontecer no país. Liberdade e democracia, sempre", anotou.

O senador Fabiano Contarato (Rede-ES) também se manifestou contra a possibilidade de celebrar tal data.

O repúdio à data contou com apoio público de dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Gilmar Mendes disse que o 31 de março "não comporta a exaltação de um golpe que lançou o país em anos de uma ditadura violenta e autoritária". Luís Roberto Barroso, que preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), também defendeu a democracia. "Apesar da crise dos últimos anos, o período democrático trouxe muito mais progresso social que a ditadura, com o maior aumento de IDH da América Latina", escreveu.


> Na CCJ, oposição critica golpe de 64, cobra Bia Kicis e adia votações
> Oposição pede impeachment de Bolsonaro por “cooptação” das Forças Armadas

Continuar lendo