Ernesto Araújo diz que povo americano se sente “traído” e “agredido” com eleição

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, disse nesta quinta-feira (7) que o povo norte-americano se sente "agredido e traído" por sua classe política e desconfia do resultado do processo eleitoral que deu vitória a Joe Biden. Ele defendeu que as pessoas que invadiram o Congresso, depredando e saqueando a sede do poder Legislativo do país, não podem ser chamadas de "fascistas".

"Há que reconhecer que grande parte do povo americano se sente agredida e traída por sua classe política e desconfia do processo eleitoral", escreveu o chanceler em uma série de mensagens no Twitter.

A manifestação do chefe do Itamaraty é a primeira de um membro da equipe de Jair Bolsonaro sobre a tentativa de golpe de Estado, ocorrida na tarde de ontem nos Estados Unidos. Segundo Ernesto Araújo, deslegitimar as pessoas que estão nas ruas ajudaria apenas a manter um certo tipo de establishment. "Há que parar de chamar 'fascistas' a cidadãos de bem quando se manifestam contra elementos do sistema político ou integrantes das instituições", afirmou, em outra mensagem.

O chanceler também se valeu da publicação para defender a magnitude dos atos – que resultaram em quatro mortes e dezenas de feridos. "Duvidar da idoneidade de um processo eleitoral NÃO significa rejeitar a democracia. Ao contrário, uma democracia saudável requer, como condição essencial, a confiança da população na idoneidade do processo eleitoral", disse.

As eleições nos Estados Unidos, que terminaram com a vitória do democrata Joe Biden, foram marcadas por um discurso de ressentimento do atual presidente, o republicano Donald Trump, que não reconheceu a derrota e sustenta que houve fraudes jamais comprovadas.

O Palácio do Planalto disse, ainda ontem, que não comentaria a invasão do Capitólio. Hoje, pela manhã, o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender o voto impresso a apoiadores no Palácio da Alvorada, e afirmou ter provas de que houve manipulação eleitoral no país – sem no entanto apresentá-las ou enviá-las a organismos internacionais competentes."A causa dessa crise toda foi a falta de confiança no voto. Houve gente lá que votou três, quatro vezes. Foi uma festa lá. Mortos votaram. Ninguém pode negar isso", disse o presidente, contrariando as afirmações de que as eleições no país foram seguras.

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