”Ventos de confrontação”, avalia general sobre atos para o 7 de setembro

“Os ventos parecem de confrontação”, avalia um general ouvido pelo Congresso em Foco  sobre o clima que se espera para o feriado de 7 de setembro. “E o presidente deseja isso”, completa, referindo-se a Jair Bolsonaro.

Não há, porém, na avaliação deste general, chances de adesão das Forças Armadas neste clima. Nesse sentido, foi prudente a decisão tomada de, como no ano passado, não realizar o desfile militar tomando como pretexto os cuidados necessários para evitar a contaminação pela covid-19. Este general avalia que os comandos militares estão muito conscientes do papel de equilíbrio que devem ter, no sentido de evitar confrontos não controlados entre os grupos na disputa política.

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“As instituições precisam agir”, avalia ele, esperando ações mais fortes vindas do Legislativo, uma vez que agora o Congresso acabou provocado a uma reação, a partir do momento em que Bolsonaro de fato apresentou ao Senado o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ações vindas neste momento apenas do Supremo, que se tornou o alvo principal dos ataques dos bolsonaristas, podem acirrar mais a situação.

O grande problema do clima crônico de beligerância política é que ele afeta fortemente a economia. Investidores estrangeiros que avaliavam ingressar com negócios no Brasil estão revendo suas estratégias por causa da deterioração do ambiente. Especialmente na área de infraestrutura, onde vinham ocorrendo mais avanços pela ação do ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas.

As pautas que poderiam ajudar a destravar o ambiente fiscal e econômico permanecem travadas no Congresso. E essa situação já irrita setores do Centrão que vêm se dispondo a ajudar o governo. Na semana passada, o relator da PEC 111, senador Roberto Rocha (PSDB-MA), reclamou sobre isso diretamente ao ministro da Economia, Paulo Guedes. Discutida no Senado, a PEC não avança por falta de entusiasmo com ela da equipe econômica, que apostou mais na possibilidade de aprovação fatiada que se tenta na Câmara.

Mas a aprovação fatiada patina da mesma forma. O projeto de lei com alterações no Imposto de Renda já foi adiado mais de uma vez. E a semana se inicia com perspectivas muito baixas de aprovação. Inicialmente, será feita uma nova tentativa de aprová-lo na terça-feira (24). Mas as informações são de que já se cogita que o projeto acabe abandonado.

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