Por que alguns políticos estão fora do Prêmio Congresso em Foco. Saiba a verdade!
Congresso em Foco
Deputados ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro têm usado suas redes digitais para difundir um vídeo falso. Ele insinua que houve algum tipo de tratamento discriminatório contra os “principais deputados de direita” na seleção dos parlamentares que disputam o Prêmio Congresso em Foco 2023.
O vídeo omite, para começar, que vários dos congressistas citados como vítimas de uma suposta discriminação foram premiados em edições anteriores do projeto, que se realiza neste ano pela 16ª vez. O vídeo também finge ignorar os critérios de habilitação para o Prêmio, que constam do item 4 do regulamento e são absolutamente conhecidos e transparentes. Na grande maioria dos casos, a exclusão decorre do fato de o político responder a processo por improbidade administrativa ou a acusações criminais formalizadas na Justiça.
Para que não restem dúvidas sobre os critérios utilizados para selecionar congressistas, válidos obviamente para parlamentares de todos os campos ideológicos, esclarecemos as razões pelas quais estão fora da disputa, no presente ano, cada um dos nomes citados no vídeo como vítimas de procedimentos supostamente questionáveis. Veja a galeria abaixo (passe a seta para mudar a imagem).
Eduardo Bolsonaro (PL-SP) –
Réu na Ação Penal 1053 no STF (difamação). Também responde no STF ao Inquérito 4781 (Fake News). No passado, sem pendência judicial, disputou e ganhou vários prêmios na votação popular do Prêmio
Nikolas Ferreira (PL-MG) –
Já condenado por transfobia, responde a processo pelo mesmo crime no Tribunal de Justiça de Minas Gerais
Carlos Jordy (PL-RJ) –
Responde no STF ao Inquérito 4781 (fake news). Um dos principais disseminadores do vídeo enganoso, disputou – e recebeu – o Prêmio Congresso em Foco em anos anteriores por não ter à época nenhuma pendência criminal
Tenente Coronel Zucco (Republicanos-RS) –
Investigado no STF na PET 10685, que apura participação no bloqueio de estradas no final do ano passado em protesto ao resultado das eleições presidenciais
Bia Kicis (PL-DF) –
Alvo do Inquérito 4781 (Fake News) no Supremo Tribunal Federal
STF mantém multa de R$ 30 mil aplicada pelo TSE a Carla Zambelli por desinformação e fake news sobre as urnas durante as eleições de 2022.
Alvo do Inquérito 4781 (Fake News). Ré por porte de arma e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo. Investigada por supostamente ter contratado um hacker para violar o sistema do Judiciário e descredibilizar o processo eleitoral
Deputado Gustavo Gayer foi condenado sob acusação de assédio eleitoral em empresas goianas durante as eleições de 2022. Foto: Câmara dos Deputados/Divulgação
Paulo Bilyisnki (PL-SP) –
Demitido do cargo de delegado da Polícia Civil de São Paulo por condutas reprovadas pelos conselhos disciplinares da corporação. Entre elas, denúncia de racismo. Já na Câmara exaltou participação de avô no Exército de Hitler
Ricardo Salles (PL-SP) –
Investigado no TRF-3 por prevaricação e no TRF-4 por improbidade administrativa. Também é alvo de ação na Justiça Federal do Pará, decorrente da Operação Akuanduba, da Polícia Federal
Carolina de Toni (PL-SC) –
Investigada no Inquérito 4781 (Fake News) e no inquérito dos atos antidemocráticos no Supremo Tribunal Federal
André Fernandes (PL-CE) –
Investigado no Inquérito 4919, suspeito de ter incitado os ataques e a prática do crime de abolição violenta do Estado Democrático de Direito nos atos de 8 de janeiro
Marcos Pollon (PL-MS) –
Investigado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso e uso indevido de meio de comunicação social durante o período das eleições de 2022. Processo 0601999-28.2022.6.12.0000
Julia Zanatta (PL-SC) –
Em março, publicou em suas redes sociais foto na qual aparece armada com uma metralhadora e vestindo uma camiseta com o desenho de uma mão com quatro dedos alvejada por três tiros, além de imagens de armas e os dizeres “come and take it” (“venha pegar”), em alusão ao presidente Lula e à política desarmamentista do novo governo
Pedro Lupion (PP-PR) –
É alvo de recurso em processo de improbidade administrativa no Superior Tribunal de Justiça (STJ). REsp nº 1908183/PR
Sargento Farhur (PSD-PR) –
O deputado já defendeu a pena de morte, por meio de enforcamento de presos em praças públicas. Também é defensor do golpe militar de 1964
Abílio Brunini foi representado no Conselho de Ética por fala transfóbica contra Erika Hilton. Foto: Câmara dos Deputados
TSE julga recurso do Psol sobre suposta falta de quitação eleitoral do deputado Gilvan da Federal (PL-ES) como ilegítimo
Coleciona uma série de discursos de ódio e falas preconceituosas contra transgêneros e religiões de matriz africana. Também homenageou o torturador general Brilhante Ustra em outra sessão da Câmara de Vitória
Coronel Telhada (PP-SP) –
Tem histórico de discurso de violência. Em abril do ano passado, o então deputado estadual compartilhou nas redes sociais um vídeo em que ameaçava com uma arma o presidente Lula
Mauricio do Vôlei (PL-MG) –
Ex-atleta profissional de vôlei, encerrou sua carreira no último ano, após ter seu contrato rescindido por seu clube em decorrência de publicações com teor homofóbico em suas redes sociais
Zé Trovão (PL-SC) –
Investigado no inquérito sobre atos antidemocráticos no Supremo Tribunal Federal (STF). Foi preso em 2021 sob acusação de ter sido um dos idealizadores de manifestações de teor golpista ocorridas no 7 de Setembro daquele ano
Silvia Waiãpi (PL-AP) –
Investigada em inquérito (4918) no Supremo Tribunal Federal que apura sua participação nos atos golpistas de 8 de janeiro
Delegado Caveira (PL-PA) –
Responde ao Processo 0800686-24.2022.8.14.0130, por calúnia e difamação, no Tribunal de Justiça do Pará
Cabo Gilberto (PL-PB) –
Investigado no Supremo Tribunal Federal por participação nos atos golpistas de 8 de janeiro
Deputado Mauricio Marcon (Podemos-RS) –
Responde a um inquérito (0600051-45.2023.6.21.0136) por desobediência a ordens ou instruções da Justiça Eleitoral no Rio Grande do Sul
Coronel Chrisóstomo (PL-RO) –
Apoiador declarado do golpe militar de 1964, defendeu em discurso na Câmara, em 2019, defendeu que o papel do militar é “matar”.
Delegado Eder Mauro (PL-PA) –
Tem histórico de discursos de ódio e de pregação da violência. Em uma audiência na Câmara, defendeu o fuzilamento de uma professora
General Girão (PL-RN) –
Responde a dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF): 4781 (Fake News) e 4939, por suspeita de incitar participação popular nos atos golpistas
Osmar Terra (MDB-RS) –
Réu por improbidade administrativa (Processo: 5067900-76.2019.4.02.5101) na Justiça Federal do Rio de Janeiro
Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PL-SP) –
Investigado no Supremo Tribunal Federal no Inquérito 4781 (Fake News)
Alberto Fraga (PL-DF) –
Réu na Ação Penal 0214557-53.2011.8.07.0001, por crimes do Sistema Nacional de Armas, no Tribunal de Justiça do Distrito Federal.
Chris Tonietto (PL-RJ) –
É um dos alvos do Inquérito 4781 (Fake News)
Filipe Barros (PL-PR) –
Responde no Supremo Tribunal Federal aos inquéritos 4878, referente ao vazamento de dados de uma investigação da Polícia Federal, e 4781 (Fake News)
Ah, sim. Você também pode participar da escolha dos melhores parlamentares do ano. Entre aqui e vote agora!
No dia 21 de setembro, a partir das 20h, serão divulgados os vencedores. Ou seja, os escolhidos pelo público, em votação pela internet monitorada pela Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF); e também os mais votados por um júri especializado e pelos jornalistas que cobrem o Congresso.
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